Qual língua escrever? Qual língua pensar?

04/03/2018

Manejar sabiamente uma língua é praticar uma espécie de feitiçaria evocatória 

Charles Baudelaire

Minha primeira parada para o café virtual... Nela, penso e reflito sobre qual língua deveria escolher para inaugurá-lo. O inglês que estranhamente me permite ser mais poética e amorosa? O armênio que desperta em mim uma necessidade de expressar conteúdo místico? Ou postar uma partitura com uma linguagem (não língua, por favor) que não requer google tradutor de nenhum leitor em potencial? Escolho português. Uma língua que, por conta de ser a minha língua materna, me policia de maneira meio que ditatorial.  Ela desperta um ritmo mais lento na minha pronúncia e ocasiona uma fuga de palavrões ou de qualquer outro tipo de expressão menos formal.

Ultimamente, ando muito interessada em bilinguismo, o que despertou meu interesse até em nível acadêmico. Tento entender melhor a mente de um bilingue para tentar entender melhor a minha. Na última aula que ministrei na UESB, na disciplina optativa de aquisição da linguagem, na qual abordo o português como língua estrangeira, discuti com meus/minhas alunos/as diferentes dimensões de bilinguismo. É tanto fator e tanta situação em volta daquele que se considera bilingue que qualquer banco de dados a ser formado precisa de muita cautela e critério. No final, fiquei pensando sobre as motivações em nivel emocional na busca por essa transformação, pois ao se tornar um, você acaba sendo tomado por uma força que adiciona outra(s) persona(s) na sua existência. Não precisa ser necessariamente outra língua, pode ser até um dialeto. Como ao abraçar expressões idiomáticas características de uma comunidade nos tornamos mais próximos dela! 

Creio que todas essas línguas que podemos aprender, como também todas as diversas formas de linguagem (musical, plástica, visual...) que podemos utilizar para a expressão, sintetizam a pluralidade que somos e complexidade do ambiente em que vivemos. Há muito ainda que não pode ser dito ou expressado, mas que mexe com o interno e causa consequências que podemos demorar uma vida  para alcançar o seu entendimento.